domingo, 1 de abril de 2012

À meia luz

E de amar senti meu rosto úmido
De choro e de suor
Por tanto te gritar.

Faz falta alagar teus poros
Portanto eu lhe imploro:
Não me faça esperar.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Rameira

Derrama teu corpo
No meu copo meio vazio.
Derrama teu dorso
No meu dorso vadio.

Caso a dor vague
Em meu vago coração depois
Beberei teu corpo
Só pra lembrar do gosto
De te beber.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Fôlego


Há, talvez, no mundo alguém responsável por esconder pessoas de beleza completa. Há em nós a dificuldade em encontrá-las e, nelas, facilidade em te conseguir. 

Reza a lenda que tais criaturas te olham no olho com a mesma fundura do poço em que te encontras e tem boca que chama sem se quer se abrir. O cheiro te invoca ao passo que é dado teu passo primeiro. Quanto mais perto da pele, mais o calafrio te esquenta e mais arrepio rebenta se o passo é terceiro. A pele alva é alvo da doideira que beira desbrio, se houver toque, haverá choque, mas não há de haver mais frio. Dizem que o corpo de tais criaturas é deveras perfeito como seu lábio quente e macio. 

Pode ser que não tenha mais volta e você nem vai querer voltar.

Reza a lenda que tal criatura te prende no peito de um jeito tão cômodo a fim de te ouvir pedir pra não te soltar. E você fica.

domingo, 6 de novembro de 2011

Criado mudo

Não quero mais levar no peito
O erro de quem não soube criar.
Se o criador não soube dar jeito,
Além da causa, dê a ele o efeito,
E tira de mim o peso
Deste falso dever de suster,
De carregar.

Se o criador foi quem criou
A dor da cria,
Não me interessa a intenção,
Não importa no que eu cria,
Não preciso de um guia,
Tampouco explicação.

Ação, dor e cria.
A dor se uniu a Cria
Pela ação do criador.
A ação se uniu a Cria
Pela dor da criação.
A ação se uniu a dor
E criou a adoração.

Finda esta tortura.
Quem surgiu primeiro
Criador ou Criatura?

sábado, 8 de outubro de 2011

Afilar-se

Lugar é tudo aquilo que tem chão
Não há chão onde eu quero estar

Não há lugar pra mim
No lugar onde tem ar

Não há chão
Não há lugar

Nem ar
Não

sábado, 1 de outubro de 2011

Carta ao amor estéril

O sumo do sentimento foi o sumiço. Foi algo tão bem sentido que passou a não ter sentido algum e sumiu.
Não sou dessas que se matam por fatos carimbados por tatos e não me importo com o status sentimental de quem mente. Queimo-me, mas não temo a minha mente ao lembrar o que tivemos e, doa a quem doer, teimo em te lembrar: doe o que doar, seja água; comida; ar; dê a dor se precisar, mas não a dúvida porque mais espaço onde a caiba, não há.
Em suma, suma. Talvez encontre um canto qualquer onde além da dúvida caiba tua reticência...

Escâncara

Talvez esteja nos teus olhos a beleza que me perturba
E tua boca seja a causa da saliva que me vem
E só de te ver me vem o gosto da rotina
De me ver refletida na retina que me retém.