E de amar senti meu rosto úmido
De choro e de suor
Por tanto te gritar.
Faz falta alagar teus poros
Portanto eu lhe imploro:
Não me faça esperar.
domingo, 1 de abril de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Rameira
Derrama teu corpo
No meu copo meio vazio.
Derrama teu dorso
No meu dorso vadio.
Caso a dor vague
Em meu vago coração depois
Beberei teu corpo
Só pra lembrar do gosto
De te beber.
No meu copo meio vazio.
Derrama teu dorso
No meu dorso vadio.
Caso a dor vague
Em meu vago coração depois
Beberei teu corpo
Só pra lembrar do gosto
De te beber.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Fôlego
Há, talvez, no mundo alguém responsável por esconder pessoas
de beleza completa. Há em nós a dificuldade em encontrá-las e, nelas,
facilidade em te conseguir.
Reza a lenda que tais criaturas te olham no olho com a mesma
fundura do poço em que te encontras e tem boca que chama sem se quer se abrir.
O cheiro te invoca ao passo que é dado teu passo primeiro. Quanto mais perto da
pele, mais o calafrio te esquenta e mais arrepio rebenta se o passo é terceiro.
A pele alva é alvo da doideira que beira desbrio, se houver toque, haverá
choque, mas não há de haver mais frio. Dizem que o corpo de tais criaturas é
deveras perfeito como seu lábio quente e macio.
Pode ser que não tenha mais volta e você nem vai querer
voltar.
Reza a lenda que tal criatura te prende no peito de um jeito tão cômodo a fim de te ouvir pedir pra não te soltar. E você fica.
Reza a lenda que tal criatura te prende no peito de um jeito tão cômodo a fim de te ouvir pedir pra não te soltar. E você fica.
domingo, 6 de novembro de 2011
Criado mudo
Não quero mais levar no peito
O erro de quem não soube criar.
Se o criador não soube dar jeito,
Além da causa, dê a ele o efeito,
E tira de mim o peso
Deste falso dever de suster,
De carregar.
Se o criador foi quem criou
A dor da cria,
Não me interessa a intenção,
Não importa no que eu cria,
Não preciso de um guia,
Tampouco explicação.
Ação, dor e cria.
A dor se uniu a Cria
Pela ação do criador.
A ação se uniu a Cria
Pela dor da criação.
A ação se uniu a dor
E criou a adoração.
Finda esta tortura.
Quem surgiu primeiro
Criador ou Criatura?
O erro de quem não soube criar.
Se o criador não soube dar jeito,
Além da causa, dê a ele o efeito,
E tira de mim o peso
Deste falso dever de suster,
De carregar.
Se o criador foi quem criou
A dor da cria,
Não me interessa a intenção,
Não importa no que eu cria,
Não preciso de um guia,
Tampouco explicação.
Ação, dor e cria.
A dor se uniu a Cria
Pela ação do criador.
A ação se uniu a Cria
Pela dor da criação.
A ação se uniu a dor
E criou a adoração.
Finda esta tortura.
Quem surgiu primeiro
Criador ou Criatura?
sábado, 8 de outubro de 2011
Afilar-se
Lugar é tudo aquilo que tem chão
Não há chão onde eu quero estar
Não há lugar pra mim
No lugar onde tem ar
Não há chão
Não há lugar
Nem ar
Não
Não há chão onde eu quero estar
Não há lugar pra mim
No lugar onde tem ar
Não há chão
Não há lugar
Nem ar
Não
sábado, 1 de outubro de 2011
Carta ao amor estéril
O sumo do sentimento foi o sumiço. Foi algo tão bem sentido que passou a não
ter sentido algum e sumiu.
Não sou dessas que se matam por fatos carimbados por tatos e não me importo com o status sentimental de quem mente. Queimo-me, mas não temo a minha mente ao lembrar o que tivemos e, doa a quem doer, teimo em te lembrar: doe o que doar, seja água; comida; ar; dê a dor se precisar, mas não a dúvida porque mais espaço onde a caiba, não há.
Em suma, suma. Talvez encontre um canto qualquer onde além da dúvida caiba tua reticência...
Não sou dessas que se matam por fatos carimbados por tatos e não me importo com o status sentimental de quem mente. Queimo-me, mas não temo a minha mente ao lembrar o que tivemos e, doa a quem doer, teimo em te lembrar: doe o que doar, seja água; comida; ar; dê a dor se precisar, mas não a dúvida porque mais espaço onde a caiba, não há.
Em suma, suma. Talvez encontre um canto qualquer onde além da dúvida caiba tua reticência...
Escâncara
Talvez esteja nos teus olhos a beleza que me perturba
E tua boca seja a causa da saliva que me vem
E só de te ver me vem o gosto da rotina
De me ver refletida na retina que me retém.
E tua boca seja a causa da saliva que me vem
E só de te ver me vem o gosto da rotina
De me ver refletida na retina que me retém.
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